O Debate Forense é aquela estrutura de diálogo em que “há juízes ou árbitros que determinam, às vezes pelo voto, qual dos lados apresentou o melhor argumento. (…) Então, vence o debate quem conseguir mais votos” (WALTON, 2006, p. 6).

Desta forma, para melhor ilustrar este tipo de diálogo, segue uma lista de seriados e filmes em que aparecem tribunais, que ambos os lados devem expor os seus argumentos.

Alguns dos seriados não estão mais no ar, mas podem ter dvd’s em locadoras.

Seriados

CSI: Crime Scene Investigation

Justiça sem Limites

Ally McBeal

Law & Order

L & O: Criminal Intent

L & O: Special Victims Unit

The Pratice

Shark

Eli Stone

O Justiceiro

Filmes

Tempo de Matar

Legalmente Loira 1 e 2

A vida de David Gale

A letra escarlate

O Nome da Rosa

Joana D’Arc (do diretor Luc Besson)

Doze Homens e uma sentença

O Justiceiro

Milagre na Rua 34

Advogado do Diabo

Filadélfia

Justiça para todos

Batman Begins

Batman o Cavaleiro das Trevas

Chicago

Sob Suspeita

O fio da Suspeita

Os últimos passos de um homem

As duas faces de um crime

Até o momento lembrei destes, quem lembrar de mais algum não deixe de postar.

Por: Ana Paula Flores

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Artigo de Umberto Eco, publicado na revista Entre Livros de fevereiro de 2006, página 98. Neste artigo o autor chama a atenção do leitor para a falta de filósofas conhecidas ao longo da História da Humanidade. A História nos fez conhecer grandes poetisas e exímias narradoras, e cientistas, mas não nos mostrou mulheres filósofas e nem matemáticas. O que nos faz pensar que existiram poucas mulheres filósofas. Ménage, autor do século XVII, em suas pesquisas, teria encontrado nada menos de 65 filósofas. Mas, Umberto Eco, ao procurar em um dicionário filosófico só encontro uma mulher filósofa, Hipácia. Desta forma, não  que  não tenham existido mulheres que filosofavam, mas os homens que teriam optado por esquecê-las, quem sabe depois de terem se apropriado de suas idéias.

 

Por: Ana Paula M. Flores

4. Sempre que um homem transfere seu direito ou a ele renuncia é em consideração a algum direito reciprocamente transferido para si próprio, ou a algum outro bem que dessa maneira espera obter. Por isso, é um ato voluntário; dos atos voluntários de qualquer homem o objetivo é algum bem para ele próprio. Portanto, existem certos direitos dos quais nunca se teve notícias, por palavras ou outros indícios, que o homem tenha abandonado ou transferido. Em primeiro lugar, o homem não pode renunciar ao direito de resistir a quem o ataca pela força para lhe roubar a vida; porque não se concebe que ele pretenda desse modo, obter algum bem para si próprio.

THOMAS HOBBES, Levithan (apud: COPI, 1978, p.40-43)

 

Paráfrase de Ana Paula M. Flores

 

Quando um homem transfere ou renuncia a alguns de seus direitos, o faz em troca dos direitos que irá receber desta ação. A renúncia ou a transferência de direitos é uma escolha que visa trazer o bem para ele próprio. Por conseguinte, existem direitos que o homem não pode renunciar ou transferir. O homem não pode renunciar ao direito de defender-se quando sua vida é ameaçada por outro; desta renúncia, ele não tirará bem algum para si próprio.

“Não é possível conceber alguma coisa no mundo, ou mesmo fora dele, a que se possa chamar de boa sem restrições, exceto uma boa vontade. Inteligência, argúcia, discernimento e outros talentos do espírito, sejam qual for o nome que se lhes dê, ou a coragem, a resolução e a perseverança, como qualidades do temperamento, são indubitavelmente boas em muitos aspectos; mas esses dons da natureza podem também tornar-se extremamente nocivos se a vontade que vai usá-los e que, portanto, constitui o que se designa por caráter, não for boa. O mesmo ocorre com os dotes de fortuna. Poder, riqueza, honra, até a saúde, bem-estar e contentamento geral com nossa condição, a que se chama felicidade, inspiram o orgulho e, com freqüência, a presunção, se não houver uma boa vontade para corrigir a influência desses males sobre o espírito e, concomitantemente, retificar também todo o princípio de conduta e adaptá-lo à sua finalidade.”  

Immanuel Kant In: Princípios Fundamentais da Metafísica da Moral (apud, COPI, 1978, p. 42)

 

Paráfrase de Janaína:

 

     Qualidades como inteligência, um bom discurso, capacidade de discernir, coragem, resolução e perseverança mesmo sendo indiscutivelmente boas podem tornar-se prejudiciais se forem usadas por alguém com mau caráter. Mesmo características como poder, riqueza, saúde, felicidade podem provocar orgulho e às vezes presunção. Isto se a pessoa não estiver atenta à sua conduta e disposta a estar constantemente corrigindo-se. Sendo assim, somente uma boa vontade pode ser considerada boa sem nenhuma restrição.

ANDRADE, Abrahão Costa. Militante da Liberdade. Revista Discutindo Filosofia, Ano 1 nº1, pp. 32.

                                             

 

     Jean-Paul Sartre foi um escritor francês fundador do existencialismo ateu. Citando a famosa frase de Dostoievski, “Se Deus não existe, então tudo é permitido” (pág 33), mostra o ponto de partida de seu existencialismo. Sartre questiona o dualismo de Descartes, mas sem ter a pretensão de abandonar a relação entre sujeito e liberdade. Para ele, a experiência precede a essência, portanto as experiências de cada um ao longo da vida é que definem sua posição ou a tomada de decisão, se faço isso ou aquilo, se me submeto ou me revolto. Acumulando experiências é que se tece, provisoriamente, um ser para cada um. Sendo assim, cada um pode sempre mudar, experimentar outra forma de ser, inventar. Para Sartre, a invenção é o grande deleite da liberdade, e o que ele deixa de grandioso é o fato de nos por de sobreaviso para qualquer tentativa de fuga de nossa liberdade. Liberdade esta que é para ele o mesmo que responsabilidade. A responsabilidade sobre a invenção do mundo e de nós mesmo, sempre.

 Por Janaína Alves.

SANTIAGO, Homero, O Ente Absolutamente Infinito

Pensador (Bento Espinosa) causou Polêmica ao Deus como substância única e indivisível, da qual todos nós somos parte. Discutindo Filosofia, Ano 2, nº 8, p. 43.

 

O pensador define substância como aquilo que existe em si mesmo e tem consciência de sua existência, ela é inteiramente independente de qualquer outra coisa quanto a sua existência e essência, sua inteligibilidade e capacidade de ser compreendida. E, para se determinar, qualificar a substância, é preciso que se conheça a sua causa, o princípio que a gerou. O homem por sua vez, não depende somente dele, mas de algo que o precede. A essência completa, o conceito do homem envolve outra coisa que não o próprio homem. Portanto, o homem não é substância, pois, depende de outra coisa para existir, seja ela seus progenitores ou mesmo um deus.

A substância deve ter, dessa maneira, uma causa, algum princípio que a originou. Se essa causa fosse diferente da própria substância, então não seria substância, pois seria, a semelhança do homem, algo que necessitaria de progenitores, deixando assim de ser substância. Necessariamente a substância tem uma causa, pois, a compreensão verdadeira se dá pela causa, o homem, por exemplo, é compreendido a partir de sua causa, seus progenitores. Dizer que a substância não tem uma causa, é o mesmo que dizer que ela é inteiramente incompreensível. Logo, a substância tem uma causa e esta não lhe é exterior. A substância tem a causa em si mesma, sua causa está envolvida em sua essência e ela (a causa) necessariamente existe.

Ele concebe a substância como algo eterno e que tudo o que existe surgiu a partir dela. É necessariamente infinita, pois nada pode lhe ser exterior, sendo, portanto, ilimitada.

Ele coloca a substância como sendo Deus.  E que tudo o que exprime uma essência pertence à substância, pois surgiu a partir de uma causa que tem sua origem na causa da substância. A substância, que segundo o seu pensamento é Deus, é, portanto, pura positividade, nela não há o não ser.

Sendo a substância algo que não tem causa exterior a si mesma e que atribua causa a todas as outras coisas, Deus dá origem a todas as coisas, mas não que ele escolha produzir isso ou aquilo, mas tudo se segue de sua essência. Para ele tudo o que é, necessariamente está contido na essência de Deus. Isso se dá justamente porque Deus não tem uma causa exterior a ele mesmo, e ele dá causa a todas as coisas.

Para se compreender melhor isso, cita-se um exemplo geométrico. Supondo-se que se tenha um triângulo no qual a soma de seus ângulos seja 180º, mas, para se construir a suposta figura, é necessário que se tenha a propriedade, o ângulo, ao mesmo tempo em que fica impossível determinar o ângulo não se tendo a figura. Há, portanto, uma relação de necessidade, onde um absolutamente não existiria sem o outro.

A mesma situação ocorre entre Deus e seus efeitos. A partir dele é que se podem conceber todas as outras coisas. Ele em si mesmo cria tudo diversamente, diferenciando-se em seus efeitos.

Para Espinosa tudo o que existe é ou substância ou modo, e esse modo, que é a realidade na qual estamos, é a modificação da substância. Portanto, o real não somente tem um Deus Criador, mas o real é Deus.

Por Juliano Rauber

6. “É deveras uma opinião estranhamente predominante  entre os homens que as casas, montanhas, rios, e numa palavra, todos os objetos sensíveis, têm uma existência, natural ou real, distinta deles, sem serem percebidas pelo entendimento. Mas, por maior que sejam a segurança e a aquiescência com que esse princípio é aceito no mundo, quem se decidir no seu íntimo contesta-lo poderá perceber, se não estou equivocado, que ele implica uma contradição manifesta. Pois, que são os objetos já citados senão as coisas que percebemos pelos sentidos? E que percebemos, além de nossas próprias idéias e sensações? Não é francamente repugnante que quaisquer dessas coisas, ou qualquer combinação delas, existam sem serem percebidas?”

BERKELEY, George, Tratado Sobre os Princípios do Conhecimento Humano (apud. COPI, 1978, p. 41)

 

Paráfrase de Juliano:

 

Aceita-se, pela maioria das pessoas, que os objetos sensíveis têm uma existência, natural ou real,  sem necessariamente serem percebidos pelo entendimento humano. Os objetos sensíveis são, por assim dizer, as coisas que percebemos pelos sentidos e, o que percebemos pelos sentidos são somente nossas idéias e sensações. Logo, aceitarmos a idéia de que esses objetos sensíveis possam ter uma existência sem que esta seja percebida pelo homem, significa aceitarmos, consciente ou inconscientemente, uma contradição.