Síntese de artigo “O Ente Absolutamente Infinito”

setembro 8, 2008

SANTIAGO, Homero, O Ente Absolutamente Infinito

Pensador (Bento Espinosa) causou Polêmica ao Deus como substância única e indivisível, da qual todos nós somos parte. Discutindo Filosofia, Ano 2, nº 8, p. 43.

 

O pensador define substância como aquilo que existe em si mesmo e tem consciência de sua existência, ela é inteiramente independente de qualquer outra coisa quanto a sua existência e essência, sua inteligibilidade e capacidade de ser compreendida. E, para se determinar, qualificar a substância, é preciso que se conheça a sua causa, o princípio que a gerou. O homem por sua vez, não depende somente dele, mas de algo que o precede. A essência completa, o conceito do homem envolve outra coisa que não o próprio homem. Portanto, o homem não é substância, pois, depende de outra coisa para existir, seja ela seus progenitores ou mesmo um deus.

A substância deve ter, dessa maneira, uma causa, algum princípio que a originou. Se essa causa fosse diferente da própria substância, então não seria substância, pois seria, a semelhança do homem, algo que necessitaria de progenitores, deixando assim de ser substância. Necessariamente a substância tem uma causa, pois, a compreensão verdadeira se dá pela causa, o homem, por exemplo, é compreendido a partir de sua causa, seus progenitores. Dizer que a substância não tem uma causa, é o mesmo que dizer que ela é inteiramente incompreensível. Logo, a substância tem uma causa e esta não lhe é exterior. A substância tem a causa em si mesma, sua causa está envolvida em sua essência e ela (a causa) necessariamente existe.

Ele concebe a substância como algo eterno e que tudo o que existe surgiu a partir dela. É necessariamente infinita, pois nada pode lhe ser exterior, sendo, portanto, ilimitada.

Ele coloca a substância como sendo Deus.  E que tudo o que exprime uma essência pertence à substância, pois surgiu a partir de uma causa que tem sua origem na causa da substância. A substância, que segundo o seu pensamento é Deus, é, portanto, pura positividade, nela não há o não ser.

Sendo a substância algo que não tem causa exterior a si mesma e que atribua causa a todas as outras coisas, Deus dá origem a todas as coisas, mas não que ele escolha produzir isso ou aquilo, mas tudo se segue de sua essência. Para ele tudo o que é, necessariamente está contido na essência de Deus. Isso se dá justamente porque Deus não tem uma causa exterior a ele mesmo, e ele dá causa a todas as coisas.

Para se compreender melhor isso, cita-se um exemplo geométrico. Supondo-se que se tenha um triângulo no qual a soma de seus ângulos seja 180º, mas, para se construir a suposta figura, é necessário que se tenha a propriedade, o ângulo, ao mesmo tempo em que fica impossível determinar o ângulo não se tendo a figura. Há, portanto, uma relação de necessidade, onde um absolutamente não existiria sem o outro.

A mesma situação ocorre entre Deus e seus efeitos. A partir dele é que se podem conceber todas as outras coisas. Ele em si mesmo cria tudo diversamente, diferenciando-se em seus efeitos.

Para Espinosa tudo o que existe é ou substância ou modo, e esse modo, que é a realidade na qual estamos, é a modificação da substância. Portanto, o real não somente tem um Deus Criador, mas o real é Deus.

Por Juliano Rauber

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