Ataque Pessoal na Argumentação

outubro 28, 2008

Resumo elaborado a partir da obra de WALTON, Douglas N. Lógica Informal: manual de argumentação crítica. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

[Parte I]

O argumentum ad hominem – argumento dirigido ao homem – é caracterizado pela crítica ao argumentador e não ao seu argumento, em que há ataque pessoal, ao caráter, a integridade e as circunstâncias pessoais. Em alguns casos, críticas relativas ao caráter, à conduta ou a motivos pessoais se fazem pertinentes à questão.

Quanto ao tipo, o argumentum ad hominem, pode ser classificado de 3 formas:

  1. argumentum ad hominem abusivo
  2. argumentum ad hominem circunstancial
  3. atribuição de parcialidade; “poço envenenado”; ataque à imparcialidade

Em muitos casos, quando uma pessoa faz um ataque pessoal, a reação da outra pessoa é contra-atacar com outro ataque pessoal, o que pode ser denominado de tu quoque – “você também!” – que pode levar a uma mudança de rumo no diálogo, baixando o nível da discussão, podendo resultar em um caso de altercação pessoal.

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Argumentum ad hominem abusivo

O alvo deste argumento pode ser qualquer aspecto da pessoa do argumentador. É um argumento de caráter pessoal, que pode trazer à tona do diálogo as ações passadas da vida do argumentador; suas afiliações; alianças políticas; crenças religiosas ou etnia. Característico, também, por ser um ataque que com frequência se dirige à ética, que coloca em dúvida a credibilidade do argumentador ou a sua capacidade de argumentar racionalmente, sugerindo que o outro argumentador pode ser/estar louco o acometido de um desequilíbrio mental. Transfomando os argumentos do criticado em argumentos não áptos ao diálogo.

Em alguns casos, a integridade, as convicções pessoais e a conduta individual podem se tornar um tema legítimo do diálogo, como no caso da política, em que está envolvida a confiança empregada no candidato, a partir de algumas de suas condutas pessoais. O ataque ad hominem, no campo da política, é a mais comum e eficaz crítica ao oponente, em que colocar em dúvida o caráter, a honestidade do adversário fazem parte de uma estratégia de campanha negativa, que em muitos casos funciona e surte efeito.

O “argumento ad hominem abusivo se refere ao uso falacioso ou ilícito do tipo direto de ataque ad hominem, que se concentra na veracidade, na confiabilidade e no caráter pessoal” (WALTON, 2006, p. )

Argumentum ad hominem circunstancial

Neste argumento, as circunstâncias da pessoa são incoerentes com a posição que ela defende na argumentação, fazendo menção a uma incoerência entre o argumento e as circunstâncias pessoais de quem o defende. Quando o argumentador faz uma coisa e prega outra.

As críticas feitas a este tipo de argumento partem do presuposto de que, quem não pratica o que prega não é uma pessoa digna de atenção e não pode ser levada a sério.

Porém, no ataque circunstancial o que vai determinar serão as interpretações da conclusão do argumento, a qual pode ser interpretada de duas formas: Absoluta (impessoal) ou Relativa (pessoal). Cada uma das interpretações vai determinar se o argumento é forte ou fraco.

Quando defendemos um argumento contra a pessoa, é preciso ter muito cuidado para especificar exatamente quais as proposições consideradas incoerentes. Na alegação de incoerência, o passo mais importante é o de enunciar claramente cada uma das preposições que, em conjunto, revelariam uma incoerência circunstancial na posição do argumentador criticado.


Atribuição de parcialidade; “poço envenenado”; ataque à imparcialidade

Quando o argumentador e acusado de ser tendencioso, de não ser imparcial em determinado diálogo. O crítico alega que o argumentador não é de confiança por ter intenções ocultas, preconceitos ou motivos pessoais que não explicitados previamente no diálogo. Mas, deve-se tomar cuidado com as acusações de imparcialidade por parte do argumentador, pois não pode-se acusá-lo de ser imparcial devido as suas características e circunstâncias pessoais, sendo levado, assim, pelo preconceito e não pela análise do argumento.

O “poço envenenado” faz referência as acusações e ao descrédito impostos a uma pessoa de tal forma, que tudo o que ela falar, não terá credibilidade nenhuma frente as desconfianças já relacionadas a sua pessoa e a sua imagem. Esta forma de ataque também é utilizada nas campanhas políticas, em que há ataque pessoal ao cadidato, colando a sua imagem a acontecimentos, que por sua vez, “envenenam” a imagem política de tal candidato.


Por: Ana Paula Flores

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