A argumentação em Filosofia

novembro 22, 2008

Desidério Murcho

Oferecem-se neste apêndice alguns instrumentos complementares para a redacção e avaliação de argumentos. Os instrumentos aqui expostos são particularmente importantes para a redacção e avaliação de ensaios argumentativos em filosofia, onde o risco de errar não é amenizado pelos dados da experiência. Por este motivo, a ênfase é toda colocada nos argumentos dedutivos. O objectivo é oferecer aos estudantes, sobretudo os de filosofia, a possibilidade de exercer as suas faculdades críticas, argumentando a favor do que pensam acerca dos mais diversos problemas, teses e argumentos filosóficos.

Continua em: http://criticanarede.com/html/fa_2_apendice.html

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Lógica Informal

novembro 20, 2008

Lógica informal
Leo Groarke
Wilfrid Laurier University

A Lógica Informal é uma tentativa de desenvolver uma lógica que possa ser usada para avaliar, analisar e aprimorar os raciocínios informais que ocorrem em relacionamentos interpessoais, propagandas, debates políticos, argumentos legais e nos comentários sociais encontrados em jornais, televisão, Internet e outras formas de comunicação de massa.

continua em: http://criticanarede.com/log_informal.html

Revista: Discutindo Filosofia Ano 1 nº 6

Artigo: Ética e Corrupção  

Segmento: Café Filosófico

Editora: Escala Educacional

Autora: Ana Carolina de Barros Silva

Síntese:

Segundo Ana Carolina, fala-se ser culpa da corrupção, a atual situação política brasileira. Porém, a política necessita de valores, pois está vinculada à Ética. Cita Aristóteles que, em Ética à Nicômaco, considera o fim último da política possibilitar ao homem uma vida justa e feliz. E questiona se atualmente é essa uma preocupação de todos.

Afirma Ana Silva que a corrupção praticada em níveis simples gera a corrupção em níveis complexos, ou seja, as pequenas ações do cotidiano como, por exemplo, deixar um amigo furar a fila em nossa frente é diretamente proporcional a um representante político empregar um parente.

Além disso, a autora alega que a ética, com uma tendência pós-moderna, dividiu-se em diversas éticas: política médica, educacional, entre outras. Criando assim um comportamento específico para cada tipo de ocasião. E, dessa forma as relações interpessoais ganham cada vez mais um tom amoral e individualista, invalidando a ética universal.

Silva se pergunta se o bem comum é o objetivo de todos e responde que a fragmentação ética é tão forte que sem notarmos agimos com valores variáveis obstruindo a relevância do coletivo.

Conclui que os culpados somos nós a cada momento em que desprezamos os “valores universais”, como na ética, na política, na moral… Pois ao agirmos desta maneira estamos reproduzindo comportamentos e atitudes que visam apenas os díspares interesses, e não os interesses próprios da comunidade em que estamos inseridos.

Este capítulo trata de diversos tipos de argumentos tradicionalmente considerados problemáticos ou falaciosos porque usam o poder de certas emoções básicas. O apelo emocional procura atingir as reações irrefletidas da pessoa na tentativa de driblar o questionamento crítico e a avaliação lógica que normalmente caracterizam o diálogo racional.

1. Argumentum ad populum

A falácia ad populum (ao povo) é tradicionalmente definida como o apelo ao entusiasmo coletivo ou a sentimentos populares com o intuito de ganhar aceitação para uma conclusão que não se sustenta em boas provas. O que é passível de crítica em um argumento ad populum é o uso do apelo emocional como substituto para informações genuinamente úteis.

Erros associados ao apelo ad populum

Um argumento implícito no próprio apelo ad populum é que, em geral, a opinião popular não determina a veracidade de uma questão. Em outras palavras, as duas formas de inferência a seguir não são, em geral, dedutivamente válidas:

(P1) Todo mundo aceita que A seja verdadeiro.

       Logo,  A é verdadeiro.

(P2) Ninguém aceita que A seja verdadeiro.

       Logo, A é falso.

Chamaríamos (P1) e (P2) de formas básicas do argumento de popularidade. Nesse caso, um argumento de popularidade pode ser considerado fraco quando trata (P1) ou (P2) como um argumento dedutivamente válido ou mais forte que permitem as provas. OU seja, se tudo o que o argumentador tem a oferecer como premissa para a conclusão de que A é verdadeiro (ou falso) é o fato de muita gente aceita que A seja verdadeiro (ou de que ninguém aceita que A seja verdadeiro), então seu argumento provavelmente é fraco. E decerto não é dedutivamente válido.

Os argumentos ad populum não são intrinsecamente errados, mas, por serem fracos, podem facilmente resultar em erros.  Deste modo, a falácia ad populum tradicional costuma ser uma combinação de dois tipos principais de erro de argumentação. Um é a falta de pertinência. O outro é o mau uso do argumento de popularidade, um argumento fraco que pode ser superestimado ou considerado mais dicisivo do que realmente é.

Outros problemas em relação aos apelos à popularidade surgem quando estes são usados para tentar persuadir alguém a agir da mesma maneira, ou quando uma prática é aceita como costume ou padrão por um grupo dominante ou popular e é preciso um argumento forte para ir contra os precedentes estabelecidos. Também quando o argumentador tenta subverter ou encerrar o diálogo racional fechando a possibilidade de que o público seja receptivo a qualquer ponto de vista contrário.

2. Apelos ameaçadores à força

A falácia ad baculum é definida, tradicionalmente, como um apelo à força ou uma ameaça para que alguém aceite a conclusão de um argumento. Ad baculum significa, literalmente, “com o báculo ou porrete”. Em geral, os exemplos desse tipo de falácia mencionam o uso de “métodos truculentos” e “bandos de intimidadores”. No diálogo racional, o argumentador deve ter liberdade para decidir por ele mesmo se aceita ou não uma conclusão, com base nos argumentos favorávies e contrários a ela. A ameaça da força não deixa essas opções em aberto e tenta bloquear as possibilidades de diálogo livre.

É preciso ter cuidado para diferenciar uma ameaça de uma advertência. Advertir alguém de um perigo ou de conseqüências pergiosas pode não ser falacioso de modo algum. O que diferencia a ameaça da advertência é a forma de entendê-las, o que pode ser difícil.

Um problema que o apelo ad baculum tem em comum com outros apelos emocionais é o fato de nem sempre ficar claro se uma decisão tomada com base em emoções ou instintos é realmente um argumento. A suspeita existe  porque a decisão foi tomada com base no medo, no interesse, na autopreservação ou no instinto, e não com base em provas.

3. Apelos à piedade

Outro tipo de apelo à emoção é o ad misericordiam, ou apelo à piedade. Ele é falacioso quando envolve o mesmo erro encontrado nos dois tipos anteriores de apelo emocional – ou seja, quando é usado para desviar a atenção de ausência de provas pertinentes que deveriam ter sido apresentadas para justificar a conclusão.

 

Parte 1

Para que se proceda um dialogo racional é necessário que as respostas dos participantes seja direta caso a resposta e a pergunta forem apropriadas. No caso de não se poder responder à pergunta dever-se-á ser o mais informativo possível. Se isto não ocorrer, se considerará a postura como inútil ou evasiva. Procedendo-se desta maneira serão possíveis a ambas as partes colher informações para a sua argumentação.

Há varias maneiras de se perguntar em um diálogo, isto é, tipos diferentes de perguntas que me darão respostas de acordo com o tipo da questão.

Um destes tipos é a pergunta ou, que poderá dar várias alternativas, porém uma só será escolhida.

O  tipo é sim ou não, é um tipo de pergunta que permite resposta positiva ou negativa obviamente. Esta é uma derivação da pergunta tipo ou.

Outro tipo de pergunta é a por que. Esta exige que a resposta proveja premissas  para a construção de argumentos e o esclarecimento das proposições.

As respostas ditas diretas são aquelas que fornecem exatamente a informação pedida.

As respostas indiretas são aquelas que fornecem parte da informação pedida.

As réplicas são aquelas respostas nem diretas nem indiretas. As réplicas questionam a própria pergunta.

Existirão casos em que para não cair em armadilhas adversárias, se deverá responder com outra pergunta.

Por Sem. Gerônimo Teixeira

Capítulo 8:

ERROS INDUTIVOS, VIESES E FALÁCIAS

Antes de começarmos, é importante fazermos uma distinção entre os argumentos dedutivos e indutivos, mesmo que isto já tenha sido feito nos capítulos precedentes.

Argumento Dedutivo (válido)

Se trata de um argumento necessário, isto é, a sua conclusão não é contingente, duvidosa. Neles não cabem o “talvez”, o “provavelmente”, mas, pelo contrário, suas conclusões são verdadeiras, partindo, claro, do pressuposto de que as premissas sejam verdadeiras.

Argumento Indutivo

Eles, partindo de premissas verdadeiras da mesma maneira que os dedutivos, são, “provavelmente”, verdadeiros, isto é, suas conclusões não são necessárias. O problema reside no fato de que, se mal utilizados, estes argumentos podem ser, por parte do seu proponente, dito necessário, ou seja, o que é na verdade contingente passa a ser, através de uma manobra retórica, necessário.  

Para nos prevenirmos de tais erros, tanto ao propormos quanto ao opormo-nos a tais argumentos, o autor do texto apresenta-nos alguns fatores que devemos observar em ambos os casos (tanto ao propormos quanto ao opormo-nos).

 Generalização indutiva.

O argumento que tem por base este raciocínio parte de premissas que dizem respeito a um grupo específico e chegam a uma conclusão sobre um grupo maior ou geral, talvez até universal.  A partir de informações de um pequeno grupo de indivíduos ou objetos conclui-se algo sobre uma parte maior ou total destes indivíduos ou objetos.

Exemplo do texto: Supõe-se que um estudante perceba que os números de catálogos de todos os livros que viu em uma biblioteca comecem com a letra “R”. Ele, por generalização indutiva, conclui que todos os livros da biblioteca comecem, em seus catálogos, com a letra “R”.

Problemas: Ora, os livros aos quais o estudante teve acesso podem não terem, em suas referências, qualquer relação com os outros livros da biblioteca.  Além disso, o número de livros aos quais teve acesso pode ser muito baixo se comparado com o número dos livros sobre os quais ele concluiu.

Argumento estatístico.

Eles são, em sua fundamentação, raciocínios que se utilizam de dados fornecidos por estatísticas ou pesquisas. Suas conclusões contêm um termo ou número que indica a probabilidade de essa conclusão ser “real” em relação às amostras da pesquisa. Alguns termos que indicam que o argumento é estatístico: a maioria, muitos, quase todos, entre outros (lembramos que pode, ao invés de se usarem termos, colocarem-se números que indicam a probabilidade de o raciocínio refletir a realidade pesquisada).

Problemas:

·         Estatística sem sentido: coloca-se na conclusão do argumento um número estatístico impreciso, que, por sua vez, impossibilita a colocação de um dado preciso. O dado que fundamenta a conclusão não tem qualquer relação com a realidade da qual ele “fala”.

Por: Juliano Rauber.

Pessoal!

Olhem este artigo abaixo. Foi publicado no Diário de Santa Maria, TERÇA-FEIRA, 29 DE ABRIL DE 2008.

“Uma escola ou um sonho?
RENATE MARIA JUNGES ABELIN

Em todas as sociedades modernas,
a escola representa a
instituição que mais cresce, aumenta
e se expande em todas as
áreas da vida social. As crianças
e os adolescentes passam o tempo mais
produtivo e criativo da sua vida dentro do
sistema educacional. Assim, precisamos
inovar, ter ousadia e sonhar em transformar
as escolas. A escola que sempre
sonhei não só imagino que existe, mas
muitas existirão, não ficando somente em
desejos e sonhos.
Sonho com uma escola que atenda às
necessidades e os desejos dos indivíduos,
com professores em destaque, amigos que
sorriem, que “tocam” em seus alunos, que
propõem trabalhos importantes, interessantes
e significativos ao momento histórico
e ao contexto da escola. Que respeitam
a realidade dos alunos, suas histórias,
vivências e experiências de vida, sendo
espaços de trabalhos em equipe.
As salas de aula com cores vivas, flores,
músicas, alegres e felizes. Onde tudo, apesar
dos conflitos, aconteça com prazer. Os
professores tenham personalidade, ética,
com postura afetiva e competente. Uma
escola que usa a biblioteca, o pátio e as
praças como espaços pedagógicos indispensáveis
ao desenvolvimento sadio das
crianças e que tem um ambiente agradável,
feliz e organizado. A sua função vai
além da produção e da reprodução do conhecimento.
Os trabalhadores em educação,
no contato diário com os alunos, estão
em posição privilegiada para construir
valores sociais, como solidariedade, fraternidade,
tolerância, justiça, liberdade e
amor. É fundamental educar pelo exemplo
do diálogo. Não devem ver o aluno como
alguém a ser moldado, mas como um ser
em construção, com muito a dizer e a fazer
no processo educativo.
A instituição deve ser democrática, sem
carência de recursos financeiros, profissionais
satisfeitos, bem-remunerados, com
auto-estima elevada. Os recursos pedagógicos
devem ser compatíveis com as necessidades
de cada comunidade, e a escola
deve ter autonomia (realmente) na tomada
de decisões. Também sonho com uma escola
informatizada, com recursos humanos
competentes e sintonizada com as transformações
sociais, tendo a inclusão como
meta e o aluno como centro do processo.
Espero que a democracia se fortaleça
e contribua para uma educação social de
qualidade, atingindo a maioria e não mais
a minoria. A escola dos sonhos deve ser dinâmica,
criativa e receptiva às transformações,
estimulando os atores a transformarem
a sociedade em algo melhor. Todos são
responsáveis pelo ato de educar, mas políticas
de governo e de valorização dos profissionais
de educação são fundamentais.
Gestora da Escola Estadual
João Link Sobrinho”

 

                “Isso não vem ao caso” ou “Isso não é pertinente”, são casos comuns de não pertinência. No entanto pertinência é: um termo tão amplo que essa crítica pode se referir a muitos tipos de falhas e erros de argumentação. Todo argumento pressupõe um contexto de diálogo em que há uma questão – numa discussão. Uma questão dentro de um diálogo sugere dois lados na discussão – fato de ser verdadeiro e o fato de ser falso.

                A questão é o fator primeiro que nos permite avaliar com justiça – em relação a um argumento específico – as alegações a respeito daquilo que é, ou não é pertinente a ela.

                Alegações de não-pertinência não podem ser resolvidas de maneira justa se a questão a ser discutida nem chega a ser enunciada ou entendida. Por exemplo um tema de discussão conjugal: O marido e a sua respectiva mulher: discussão de quem poderia levar o lixo, mas de repente a verdadeira questão da discussão poderia ser a falta de explicação de um deles por ter chego tarde na noite anterior. Portanto devemos saber com clareza sobre o que estamos discutindo – estabelecer critérios para o diálogo.

ALEGAÇÕES DE NÃO-PERTINÊNCIA

                Falácia – ignorar a questão, às vezes também chamada de conclusão não-pertinente – um argumento não prova a conclusão (tese), com isso é conduzido no sentido de provar alguma conclusão não pertinente.

                A crítica por não pertinência é uma ampla categoria da avaliação de argumentos, e diversas críticas mais específicas de tipos particulares de não pertinência, pode ser proveitosamente identificadas.

                Falácia-básica: não pertinente é apenas a identificação equivocada da conclusão correta a ser provada num diálogo racional.

                Diálogo Racional: é uma seqüência de perguntas e respostas, e que cada participante tem uma tese a ser provada – globalmente não pertinente – não consegue ser pertinente para a conclusão final a ser provada pela parte que apresentou tal tese. Alegações não pertinente global: os participantes não deixam claro qual deve ser exatamente a conclusão final de cada um.

TIPOS DE NÃO PERTINÊNCIA

I – Tirar a conclusão errada do próprio argumento;

II – Se refere à incapacidade de refutar a tese do oponente numa disputa. Numa disputa há dois argumentadores e a tese de um é contrária à do outro. Uma variante de não-pertinência, ocorre quando a argumentação de um participante não consegue refutar a tese do outro participante nem apresentar provas razoáveis contra ela.

III – Modifica pela introdução de um paralelo diversionista que pode não ser pertinente. Suponhamos que um julgamento criminal, o advogado de defesa afirme que a verdadeira questão é a discriminação, por que o réu pertence a uma minoria étnica. Se isso não for verdade é preciso cuidado para que o júri não se empolgue com o tema da discriminação, geralmente interessante, e perca de vista a verdadeira questão.

IV – Uma forma extrema de não pertinência é a não coincidência de assuntos. Se algumas das proposições a ser estabelecida a ponto de não ter com ela um assunto em comum, sua pertinência pode ser racionalmente contestada.

V – Ocorre quando um argumentador exagera a conclusão que o oponente deve supostamente provar.

VI – Ás vezes, a conclusão de um argumento é mal compreendida porque não há se leva em conta o fato de ela ser uma proposição complexa. Por exemplo, uma proposição condicional ser tratada como simples.

VII – O fato de uma acusação de não-pertinência incide mais sobre a premissa do que sobre a conclusão. É quando o participante começa a construir uma argumentação que até pode ser boa, mas, a certa altura introduz premissas adicionais que se desviam do curso dessa argumentação.

 

Resumo elaborado a partir da obra de WALTON, Douglas N. Lógica Informal: manual de argumentação crítica. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

[Parte I]

O argumentum ad hominem – argumento dirigido ao homem – é caracterizado pela crítica ao argumentador e não ao seu argumento, em que há ataque pessoal, ao caráter, a integridade e as circunstâncias pessoais. Em alguns casos, críticas relativas ao caráter, à conduta ou a motivos pessoais se fazem pertinentes à questão.

Quanto ao tipo, o argumentum ad hominem, pode ser classificado de 3 formas:

  1. argumentum ad hominem abusivo
  2. argumentum ad hominem circunstancial
  3. atribuição de parcialidade; “poço envenenado”; ataque à imparcialidade

Em muitos casos, quando uma pessoa faz um ataque pessoal, a reação da outra pessoa é contra-atacar com outro ataque pessoal, o que pode ser denominado de tu quoque – “você também!” – que pode levar a uma mudança de rumo no diálogo, baixando o nível da discussão, podendo resultar em um caso de altercação pessoal.

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Argumentum ad hominem abusivo

O alvo deste argumento pode ser qualquer aspecto da pessoa do argumentador. É um argumento de caráter pessoal, que pode trazer à tona do diálogo as ações passadas da vida do argumentador; suas afiliações; alianças políticas; crenças religiosas ou etnia. Característico, também, por ser um ataque que com frequência se dirige à ética, que coloca em dúvida a credibilidade do argumentador ou a sua capacidade de argumentar racionalmente, sugerindo que o outro argumentador pode ser/estar louco o acometido de um desequilíbrio mental. Transfomando os argumentos do criticado em argumentos não áptos ao diálogo.

Em alguns casos, a integridade, as convicções pessoais e a conduta individual podem se tornar um tema legítimo do diálogo, como no caso da política, em que está envolvida a confiança empregada no candidato, a partir de algumas de suas condutas pessoais. O ataque ad hominem, no campo da política, é a mais comum e eficaz crítica ao oponente, em que colocar em dúvida o caráter, a honestidade do adversário fazem parte de uma estratégia de campanha negativa, que em muitos casos funciona e surte efeito.

O “argumento ad hominem abusivo se refere ao uso falacioso ou ilícito do tipo direto de ataque ad hominem, que se concentra na veracidade, na confiabilidade e no caráter pessoal” (WALTON, 2006, p. )

Argumentum ad hominem circunstancial

Neste argumento, as circunstâncias da pessoa são incoerentes com a posição que ela defende na argumentação, fazendo menção a uma incoerência entre o argumento e as circunstâncias pessoais de quem o defende. Quando o argumentador faz uma coisa e prega outra.

As críticas feitas a este tipo de argumento partem do presuposto de que, quem não pratica o que prega não é uma pessoa digna de atenção e não pode ser levada a sério.

Porém, no ataque circunstancial o que vai determinar serão as interpretações da conclusão do argumento, a qual pode ser interpretada de duas formas: Absoluta (impessoal) ou Relativa (pessoal). Cada uma das interpretações vai determinar se o argumento é forte ou fraco.

Quando defendemos um argumento contra a pessoa, é preciso ter muito cuidado para especificar exatamente quais as proposições consideradas incoerentes. Na alegação de incoerência, o passo mais importante é o de enunciar claramente cada uma das preposições que, em conjunto, revelariam uma incoerência circunstancial na posição do argumentador criticado.


Atribuição de parcialidade; “poço envenenado”; ataque à imparcialidade

Quando o argumentador e acusado de ser tendencioso, de não ser imparcial em determinado diálogo. O crítico alega que o argumentador não é de confiança por ter intenções ocultas, preconceitos ou motivos pessoais que não explicitados previamente no diálogo. Mas, deve-se tomar cuidado com as acusações de imparcialidade por parte do argumentador, pois não pode-se acusá-lo de ser imparcial devido as suas características e circunstâncias pessoais, sendo levado, assim, pelo preconceito e não pela análise do argumento.

O “poço envenenado” faz referência as acusações e ao descrédito impostos a uma pessoa de tal forma, que tudo o que ela falar, não terá credibilidade nenhuma frente as desconfianças já relacionadas a sua pessoa e a sua imagem. Esta forma de ataque também é utilizada nas campanhas políticas, em que há ataque pessoal ao cadidato, colando a sua imagem a acontecimentos, que por sua vez, “envenenam” a imagem política de tal candidato.


Por: Ana Paula Flores

Santo Tomás de Aquino descreve a sua ética baseada na razão proveniente de Deus.

O santo Afirma que o Homem tem uma finalidade  e consciência de seu fim. Isso mostra que é  dotado do dom da razão e que unida à espiritualidade inata, o coloca no âmbito moral.

Ele diz que, existe no Ser Humano uma tendência racional, elevando-o  e que a vontade Humana tende ao bem Universal, ou seja, a Deus.

Ao afirmar a sua ética, Santo Tomás diz que a vontade Humana é livre e, que pode escolher conforme afirmara o Santo Bispo Agostinho. Porém, bom para Santo Tomás, é aquilo que não contaria a razão, sendo esta por sua vez, proveniente e Dom de Deus. Também é dito por Santo Tomás que a virtude, ou seja, aquilo que é de acordo com a lei, é a inclinação para o bem.  

Sendo assim, Santo Tomás de Aquino diz que a razão é orientadora da lei, desde que seja proveniente de Deus. Estas leis são divididas em três:

– A Lei Eterna: Feita por Deus;

– A Lei Natural: Feita por Deus e imutável, subordinada a lei eterna e em função do Homem e;

– A Lei Temporal: que é mortal, mutável e contingente.

A lei (temporal) deverá ser racional, relacionada à capacidade de criar regras e raciocínios e, deverão ser aplicados ao todo. Afirma que há a necessidade de haver a lei eterna para que o homem atinja o seu fim último, pois sua lei é limitada. O objetivo da lei é tomar os homens bons e por conseqüência deverá ser universal e baseada naquilo que é universal, ou seja, baseada na lei eterna.

O monge dominicano afirma que o rei como o representante da lei, deverá ser como um temperante sacerdote do Criador, Isto é, sua lei estará baseada na fé e logo, em comunhão com ela.