“Isso não vem ao caso” ou “Isso não é pertinente”, são casos comuns de não pertinência. No entanto pertinência é: um termo tão amplo que essa crítica pode se referir a muitos tipos de falhas e erros de argumentação. Todo argumento pressupõe um contexto de diálogo em que há uma questão – numa discussão. Uma questão dentro de um diálogo sugere dois lados na discussão – fato de ser verdadeiro e o fato de ser falso.

                A questão é o fator primeiro que nos permite avaliar com justiça – em relação a um argumento específico – as alegações a respeito daquilo que é, ou não é pertinente a ela.

                Alegações de não-pertinência não podem ser resolvidas de maneira justa se a questão a ser discutida nem chega a ser enunciada ou entendida. Por exemplo um tema de discussão conjugal: O marido e a sua respectiva mulher: discussão de quem poderia levar o lixo, mas de repente a verdadeira questão da discussão poderia ser a falta de explicação de um deles por ter chego tarde na noite anterior. Portanto devemos saber com clareza sobre o que estamos discutindo – estabelecer critérios para o diálogo.

ALEGAÇÕES DE NÃO-PERTINÊNCIA

                Falácia – ignorar a questão, às vezes também chamada de conclusão não-pertinente – um argumento não prova a conclusão (tese), com isso é conduzido no sentido de provar alguma conclusão não pertinente.

                A crítica por não pertinência é uma ampla categoria da avaliação de argumentos, e diversas críticas mais específicas de tipos particulares de não pertinência, pode ser proveitosamente identificadas.

                Falácia-básica: não pertinente é apenas a identificação equivocada da conclusão correta a ser provada num diálogo racional.

                Diálogo Racional: é uma seqüência de perguntas e respostas, e que cada participante tem uma tese a ser provada – globalmente não pertinente – não consegue ser pertinente para a conclusão final a ser provada pela parte que apresentou tal tese. Alegações não pertinente global: os participantes não deixam claro qual deve ser exatamente a conclusão final de cada um.

TIPOS DE NÃO PERTINÊNCIA

I – Tirar a conclusão errada do próprio argumento;

II – Se refere à incapacidade de refutar a tese do oponente numa disputa. Numa disputa há dois argumentadores e a tese de um é contrária à do outro. Uma variante de não-pertinência, ocorre quando a argumentação de um participante não consegue refutar a tese do outro participante nem apresentar provas razoáveis contra ela.

III – Modifica pela introdução de um paralelo diversionista que pode não ser pertinente. Suponhamos que um julgamento criminal, o advogado de defesa afirme que a verdadeira questão é a discriminação, por que o réu pertence a uma minoria étnica. Se isso não for verdade é preciso cuidado para que o júri não se empolgue com o tema da discriminação, geralmente interessante, e perca de vista a verdadeira questão.

IV – Uma forma extrema de não pertinência é a não coincidência de assuntos. Se algumas das proposições a ser estabelecida a ponto de não ter com ela um assunto em comum, sua pertinência pode ser racionalmente contestada.

V – Ocorre quando um argumentador exagera a conclusão que o oponente deve supostamente provar.

VI – Ás vezes, a conclusão de um argumento é mal compreendida porque não há se leva em conta o fato de ela ser uma proposição complexa. Por exemplo, uma proposição condicional ser tratada como simples.

VII – O fato de uma acusação de não-pertinência incide mais sobre a premissa do que sobre a conclusão. É quando o participante começa a construir uma argumentação que até pode ser boa, mas, a certa altura introduz premissas adicionais que se desviam do curso dessa argumentação.

 

Anúncios

Resumo elaborado a partir da obra de WALTON, Douglas N. Lógica Informal: manual de argumentação crítica. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

[Parte I]

O argumentum ad hominem – argumento dirigido ao homem – é caracterizado pela crítica ao argumentador e não ao seu argumento, em que há ataque pessoal, ao caráter, a integridade e as circunstâncias pessoais. Em alguns casos, críticas relativas ao caráter, à conduta ou a motivos pessoais se fazem pertinentes à questão.

Quanto ao tipo, o argumentum ad hominem, pode ser classificado de 3 formas:

  1. argumentum ad hominem abusivo
  2. argumentum ad hominem circunstancial
  3. atribuição de parcialidade; “poço envenenado”; ataque à imparcialidade

Em muitos casos, quando uma pessoa faz um ataque pessoal, a reação da outra pessoa é contra-atacar com outro ataque pessoal, o que pode ser denominado de tu quoque – “você também!” – que pode levar a uma mudança de rumo no diálogo, baixando o nível da discussão, podendo resultar em um caso de altercação pessoal.

<!– @page { margin: 2cm } P { margin-bottom: 0.21cm } –>

Argumentum ad hominem abusivo

O alvo deste argumento pode ser qualquer aspecto da pessoa do argumentador. É um argumento de caráter pessoal, que pode trazer à tona do diálogo as ações passadas da vida do argumentador; suas afiliações; alianças políticas; crenças religiosas ou etnia. Característico, também, por ser um ataque que com frequência se dirige à ética, que coloca em dúvida a credibilidade do argumentador ou a sua capacidade de argumentar racionalmente, sugerindo que o outro argumentador pode ser/estar louco o acometido de um desequilíbrio mental. Transfomando os argumentos do criticado em argumentos não áptos ao diálogo.

Em alguns casos, a integridade, as convicções pessoais e a conduta individual podem se tornar um tema legítimo do diálogo, como no caso da política, em que está envolvida a confiança empregada no candidato, a partir de algumas de suas condutas pessoais. O ataque ad hominem, no campo da política, é a mais comum e eficaz crítica ao oponente, em que colocar em dúvida o caráter, a honestidade do adversário fazem parte de uma estratégia de campanha negativa, que em muitos casos funciona e surte efeito.

O “argumento ad hominem abusivo se refere ao uso falacioso ou ilícito do tipo direto de ataque ad hominem, que se concentra na veracidade, na confiabilidade e no caráter pessoal” (WALTON, 2006, p. )

Argumentum ad hominem circunstancial

Neste argumento, as circunstâncias da pessoa são incoerentes com a posição que ela defende na argumentação, fazendo menção a uma incoerência entre o argumento e as circunstâncias pessoais de quem o defende. Quando o argumentador faz uma coisa e prega outra.

As críticas feitas a este tipo de argumento partem do presuposto de que, quem não pratica o que prega não é uma pessoa digna de atenção e não pode ser levada a sério.

Porém, no ataque circunstancial o que vai determinar serão as interpretações da conclusão do argumento, a qual pode ser interpretada de duas formas: Absoluta (impessoal) ou Relativa (pessoal). Cada uma das interpretações vai determinar se o argumento é forte ou fraco.

Quando defendemos um argumento contra a pessoa, é preciso ter muito cuidado para especificar exatamente quais as proposições consideradas incoerentes. Na alegação de incoerência, o passo mais importante é o de enunciar claramente cada uma das preposições que, em conjunto, revelariam uma incoerência circunstancial na posição do argumentador criticado.


Atribuição de parcialidade; “poço envenenado”; ataque à imparcialidade

Quando o argumentador e acusado de ser tendencioso, de não ser imparcial em determinado diálogo. O crítico alega que o argumentador não é de confiança por ter intenções ocultas, preconceitos ou motivos pessoais que não explicitados previamente no diálogo. Mas, deve-se tomar cuidado com as acusações de imparcialidade por parte do argumentador, pois não pode-se acusá-lo de ser imparcial devido as suas características e circunstâncias pessoais, sendo levado, assim, pelo preconceito e não pela análise do argumento.

O “poço envenenado” faz referência as acusações e ao descrédito impostos a uma pessoa de tal forma, que tudo o que ela falar, não terá credibilidade nenhuma frente as desconfianças já relacionadas a sua pessoa e a sua imagem. Esta forma de ataque também é utilizada nas campanhas políticas, em que há ataque pessoal ao cadidato, colando a sua imagem a acontecimentos, que por sua vez, “envenenam” a imagem política de tal candidato.


Por: Ana Paula Flores

Santo Tomás de Aquino descreve a sua ética baseada na razão proveniente de Deus.

O santo Afirma que o Homem tem uma finalidade  e consciência de seu fim. Isso mostra que é  dotado do dom da razão e que unida à espiritualidade inata, o coloca no âmbito moral.

Ele diz que, existe no Ser Humano uma tendência racional, elevando-o  e que a vontade Humana tende ao bem Universal, ou seja, a Deus.

Ao afirmar a sua ética, Santo Tomás diz que a vontade Humana é livre e, que pode escolher conforme afirmara o Santo Bispo Agostinho. Porém, bom para Santo Tomás, é aquilo que não contaria a razão, sendo esta por sua vez, proveniente e Dom de Deus. Também é dito por Santo Tomás que a virtude, ou seja, aquilo que é de acordo com a lei, é a inclinação para o bem.  

Sendo assim, Santo Tomás de Aquino diz que a razão é orientadora da lei, desde que seja proveniente de Deus. Estas leis são divididas em três:

– A Lei Eterna: Feita por Deus;

– A Lei Natural: Feita por Deus e imutável, subordinada a lei eterna e em função do Homem e;

– A Lei Temporal: que é mortal, mutável e contingente.

A lei (temporal) deverá ser racional, relacionada à capacidade de criar regras e raciocínios e, deverão ser aplicados ao todo. Afirma que há a necessidade de haver a lei eterna para que o homem atinja o seu fim último, pois sua lei é limitada. O objetivo da lei é tomar os homens bons e por conseqüência deverá ser universal e baseada naquilo que é universal, ou seja, baseada na lei eterna.

O monge dominicano afirma que o rei como o representante da lei, deverá ser como um temperante sacerdote do Criador, Isto é, sua lei estará baseada na fé e logo, em comunhão com ela.

O Debate Forense é aquela estrutura de diálogo em que “há juízes ou árbitros que determinam, às vezes pelo voto, qual dos lados apresentou o melhor argumento. (…) Então, vence o debate quem conseguir mais votos” (WALTON, 2006, p. 6).

Desta forma, para melhor ilustrar este tipo de diálogo, segue uma lista de seriados e filmes em que aparecem tribunais, que ambos os lados devem expor os seus argumentos.

Alguns dos seriados não estão mais no ar, mas podem ter dvd’s em locadoras.

Seriados

CSI: Crime Scene Investigation

Justiça sem Limites

Ally McBeal

Law & Order

L & O: Criminal Intent

L & O: Special Victims Unit

The Pratice

Shark

Eli Stone

O Justiceiro

Filmes

Tempo de Matar

Legalmente Loira 1 e 2

A vida de David Gale

A letra escarlate

O Nome da Rosa

Joana D’Arc (do diretor Luc Besson)

Doze Homens e uma sentença

O Justiceiro

Milagre na Rua 34

Advogado do Diabo

Filadélfia

Justiça para todos

Batman Begins

Batman o Cavaleiro das Trevas

Chicago

Sob Suspeita

O fio da Suspeita

Os últimos passos de um homem

As duas faces de um crime

Até o momento lembrei destes, quem lembrar de mais algum não deixe de postar.

Por: Ana Paula Flores

Artigo de Umberto Eco, publicado na revista Entre Livros de fevereiro de 2006, página 98. Neste artigo o autor chama a atenção do leitor para a falta de filósofas conhecidas ao longo da História da Humanidade. A História nos fez conhecer grandes poetisas e exímias narradoras, e cientistas, mas não nos mostrou mulheres filósofas e nem matemáticas. O que nos faz pensar que existiram poucas mulheres filósofas. Ménage, autor do século XVII, em suas pesquisas, teria encontrado nada menos de 65 filósofas. Mas, Umberto Eco, ao procurar em um dicionário filosófico só encontro uma mulher filósofa, Hipácia. Desta forma, não  que  não tenham existido mulheres que filosofavam, mas os homens que teriam optado por esquecê-las, quem sabe depois de terem se apropriado de suas idéias.

 

Por: Ana Paula M. Flores

4. Sempre que um homem transfere seu direito ou a ele renuncia é em consideração a algum direito reciprocamente transferido para si próprio, ou a algum outro bem que dessa maneira espera obter. Por isso, é um ato voluntário; dos atos voluntários de qualquer homem o objetivo é algum bem para ele próprio. Portanto, existem certos direitos dos quais nunca se teve notícias, por palavras ou outros indícios, que o homem tenha abandonado ou transferido. Em primeiro lugar, o homem não pode renunciar ao direito de resistir a quem o ataca pela força para lhe roubar a vida; porque não se concebe que ele pretenda desse modo, obter algum bem para si próprio.

THOMAS HOBBES, Levithan (apud: COPI, 1978, p.40-43)

 

Paráfrase de Ana Paula M. Flores

 

Quando um homem transfere ou renuncia a alguns de seus direitos, o faz em troca dos direitos que irá receber desta ação. A renúncia ou a transferência de direitos é uma escolha que visa trazer o bem para ele próprio. Por conseguinte, existem direitos que o homem não pode renunciar ou transferir. O homem não pode renunciar ao direito de defender-se quando sua vida é ameaçada por outro; desta renúncia, ele não tirará bem algum para si próprio.

“Não é possível conceber alguma coisa no mundo, ou mesmo fora dele, a que se possa chamar de boa sem restrições, exceto uma boa vontade. Inteligência, argúcia, discernimento e outros talentos do espírito, sejam qual for o nome que se lhes dê, ou a coragem, a resolução e a perseverança, como qualidades do temperamento, são indubitavelmente boas em muitos aspectos; mas esses dons da natureza podem também tornar-se extremamente nocivos se a vontade que vai usá-los e que, portanto, constitui o que se designa por caráter, não for boa. O mesmo ocorre com os dotes de fortuna. Poder, riqueza, honra, até a saúde, bem-estar e contentamento geral com nossa condição, a que se chama felicidade, inspiram o orgulho e, com freqüência, a presunção, se não houver uma boa vontade para corrigir a influência desses males sobre o espírito e, concomitantemente, retificar também todo o princípio de conduta e adaptá-lo à sua finalidade.”  

Immanuel Kant In: Princípios Fundamentais da Metafísica da Moral (apud, COPI, 1978, p. 42)

 

Paráfrase de Janaína:

 

     Qualidades como inteligência, um bom discurso, capacidade de discernir, coragem, resolução e perseverança mesmo sendo indiscutivelmente boas podem tornar-se prejudiciais se forem usadas por alguém com mau caráter. Mesmo características como poder, riqueza, saúde, felicidade podem provocar orgulho e às vezes presunção. Isto se a pessoa não estiver atenta à sua conduta e disposta a estar constantemente corrigindo-se. Sendo assim, somente uma boa vontade pode ser considerada boa sem nenhuma restrição.

ANDRADE, Abrahão Costa. Militante da Liberdade. Revista Discutindo Filosofia, Ano 1 nº1, pp. 32.

                                             

 

     Jean-Paul Sartre foi um escritor francês fundador do existencialismo ateu. Citando a famosa frase de Dostoievski, “Se Deus não existe, então tudo é permitido” (pág 33), mostra o ponto de partida de seu existencialismo. Sartre questiona o dualismo de Descartes, mas sem ter a pretensão de abandonar a relação entre sujeito e liberdade. Para ele, a experiência precede a essência, portanto as experiências de cada um ao longo da vida é que definem sua posição ou a tomada de decisão, se faço isso ou aquilo, se me submeto ou me revolto. Acumulando experiências é que se tece, provisoriamente, um ser para cada um. Sendo assim, cada um pode sempre mudar, experimentar outra forma de ser, inventar. Para Sartre, a invenção é o grande deleite da liberdade, e o que ele deixa de grandioso é o fato de nos por de sobreaviso para qualquer tentativa de fuga de nossa liberdade. Liberdade esta que é para ele o mesmo que responsabilidade. A responsabilidade sobre a invenção do mundo e de nós mesmo, sempre.

 Por Janaína Alves.

SANTIAGO, Homero, O Ente Absolutamente Infinito

Pensador (Bento Espinosa) causou Polêmica ao Deus como substância única e indivisível, da qual todos nós somos parte. Discutindo Filosofia, Ano 2, nº 8, p. 43.

 

O pensador define substância como aquilo que existe em si mesmo e tem consciência de sua existência, ela é inteiramente independente de qualquer outra coisa quanto a sua existência e essência, sua inteligibilidade e capacidade de ser compreendida. E, para se determinar, qualificar a substância, é preciso que se conheça a sua causa, o princípio que a gerou. O homem por sua vez, não depende somente dele, mas de algo que o precede. A essência completa, o conceito do homem envolve outra coisa que não o próprio homem. Portanto, o homem não é substância, pois, depende de outra coisa para existir, seja ela seus progenitores ou mesmo um deus.

A substância deve ter, dessa maneira, uma causa, algum princípio que a originou. Se essa causa fosse diferente da própria substância, então não seria substância, pois seria, a semelhança do homem, algo que necessitaria de progenitores, deixando assim de ser substância. Necessariamente a substância tem uma causa, pois, a compreensão verdadeira se dá pela causa, o homem, por exemplo, é compreendido a partir de sua causa, seus progenitores. Dizer que a substância não tem uma causa, é o mesmo que dizer que ela é inteiramente incompreensível. Logo, a substância tem uma causa e esta não lhe é exterior. A substância tem a causa em si mesma, sua causa está envolvida em sua essência e ela (a causa) necessariamente existe.

Ele concebe a substância como algo eterno e que tudo o que existe surgiu a partir dela. É necessariamente infinita, pois nada pode lhe ser exterior, sendo, portanto, ilimitada.

Ele coloca a substância como sendo Deus.  E que tudo o que exprime uma essência pertence à substância, pois surgiu a partir de uma causa que tem sua origem na causa da substância. A substância, que segundo o seu pensamento é Deus, é, portanto, pura positividade, nela não há o não ser.

Sendo a substância algo que não tem causa exterior a si mesma e que atribua causa a todas as outras coisas, Deus dá origem a todas as coisas, mas não que ele escolha produzir isso ou aquilo, mas tudo se segue de sua essência. Para ele tudo o que é, necessariamente está contido na essência de Deus. Isso se dá justamente porque Deus não tem uma causa exterior a ele mesmo, e ele dá causa a todas as coisas.

Para se compreender melhor isso, cita-se um exemplo geométrico. Supondo-se que se tenha um triângulo no qual a soma de seus ângulos seja 180º, mas, para se construir a suposta figura, é necessário que se tenha a propriedade, o ângulo, ao mesmo tempo em que fica impossível determinar o ângulo não se tendo a figura. Há, portanto, uma relação de necessidade, onde um absolutamente não existiria sem o outro.

A mesma situação ocorre entre Deus e seus efeitos. A partir dele é que se podem conceber todas as outras coisas. Ele em si mesmo cria tudo diversamente, diferenciando-se em seus efeitos.

Para Espinosa tudo o que existe é ou substância ou modo, e esse modo, que é a realidade na qual estamos, é a modificação da substância. Portanto, o real não somente tem um Deus Criador, mas o real é Deus.

Por Juliano Rauber

6. “É deveras uma opinião estranhamente predominante  entre os homens que as casas, montanhas, rios, e numa palavra, todos os objetos sensíveis, têm uma existência, natural ou real, distinta deles, sem serem percebidas pelo entendimento. Mas, por maior que sejam a segurança e a aquiescência com que esse princípio é aceito no mundo, quem se decidir no seu íntimo contesta-lo poderá perceber, se não estou equivocado, que ele implica uma contradição manifesta. Pois, que são os objetos já citados senão as coisas que percebemos pelos sentidos? E que percebemos, além de nossas próprias idéias e sensações? Não é francamente repugnante que quaisquer dessas coisas, ou qualquer combinação delas, existam sem serem percebidas?”

BERKELEY, George, Tratado Sobre os Princípios do Conhecimento Humano (apud. COPI, 1978, p. 41)

 

Paráfrase de Juliano:

 

Aceita-se, pela maioria das pessoas, que os objetos sensíveis têm uma existência, natural ou real,  sem necessariamente serem percebidos pelo entendimento humano. Os objetos sensíveis são, por assim dizer, as coisas que percebemos pelos sentidos e, o que percebemos pelos sentidos são somente nossas idéias e sensações. Logo, aceitarmos a idéia de que esses objetos sensíveis possam ter uma existência sem que esta seja percebida pelo homem, significa aceitarmos, consciente ou inconscientemente, uma contradição.